domingo, 20 de fevereiro de 2011

Para nós, Capacetes.

Foto por Alison Brady

Eu posso conter o clima do apito quando soa em tão alto som que até a pedra de gelo que se forma nas nuvens cinzentas desintegra antes de chegar no chão.

Meus pêsames àqueles que ficam para simpatizar com os mais belos e lotados canais de televisão; àqueles também que riem até doer as bochechas da rachadura dos armários mal envernizados das lojas de móveis. Pois é nas esquinas sujas de potes de iogurtes que o pior acontece; pior ainda do que o fato de você não poder ultrapassar aquela maldita linha imaginária apenas para conhecer o chão que também é seu, e pior do que ser exteriormente regido por um boneco inflável que quase afunda por causa do peso dos papeis coloridos que só existem para que a vida tenha um pouco mais de emoção. Emoção esta que o pós-moderno quer ver morte, mas que, ao mesmo tempo, faz de tudo para que o mesmo nunca aconteça e o tédio não compareça.

Mas nós, cabeças com capacetes resistentes, devemos - por nós e, também, por pura obrigação como ser pensante - alcançar o tédio, sem medo de morrer no sofá da sala com a boca suja de chocolate; pois a falta de emoção será tanta que o sonho de cada um de nós será se matar ou fazer algo: pois bem, faremos algo; qualquer coisa, não importa, mas qualquer coisa nova e diferente daquilo tudo que já foi feito. Passemos pelo tédio!

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