Ela ouviu um miado solitário e parou o que estava fazendo instantaneamente. Automaticamente virou-se à sua direita e pulou em cima da cama, ficando de pé na mesma; apoiou as mãos na janela e procurou o som que continuava repetidamente em algum lugar na escuridão. Então viu, no muro ao longe, a silhueta de um gato levantando-se e andando em seu equilíbrio e charme perfeitos. Imaginou como seria capaz um som tão forte chegar aos seus ouvidos sendo que vinha de tão longe. O gato sumiu nas sombras. Ela inspirou a noite suja da cidade e todas as indagações sobre os motivos daquele miar. Suspirou num desejo de viver um único dia a vida daquele animal, numa decepção, num amor, numa luz que tocava-lhe os olhos.
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